se você morrer eu nunca mais vou ao medico

Quando era criança tinha medo de ir ao hospital e devo confessar que ainda tenho. Na verdade meu medo era estar sozinha naquele lugar que só produz solidão. Chega ser engraçado e sarcástico como dependemos das pessoas, até pra ir fazer um simples exame de vista minha mãe sempre precisou me acompanhar, não ia sozinha de jeito nenhum. E sempre brigávamos, porque ela gritava: E SE EU MORRER, VOCÊ VAI FAZER O QUE? Eu retrucava: se você morrer eu nunca mais vou ao medico. E ela dizia coisas como “você precisa crescer” “não vou estar aqui para sempre” “você já é moça, faça as coisas sozinha” “não dependa de mim” “não chore”. Ela me deu sinais esse tempo todo e eu não segurei nenhum deles. Passei mal uns dias atras e me deparei sozinha na sala de um hospital com um homem de olhos verdes que nunca vi na vida, me perguntando se eu era alérgica a algum tipo de medicamento. Mais que raio de pergunta é essa? Eu não sei droga! Descobri que não sabia muitas coisas sobre mim e que se tornar adulto era se sentir só, e eu não estava gostando de ser adulto. Havia muitas pessoas na sala de espera e todas eram tão estranhas e eu só pensava em quando eu era criança e esperava ser atendida deitada no colo da minha mãe, as vezes quando tinha muita dor, chorava baixinho então ela fazia carinho na minha orelha. Tudo que eu queria naquela hora era a minha mãe me fazendo carinho, mas isso eu não tinha e não teria nunca mais. Crescer doí, é como tirar casquinha de ferida. Espero que eu possa aprender mais coisas sobre mim e não me sentir tão solitária assim.
Jaqueline Umberto

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