faz tempo que me perdi. desde o parto,

faz tempo que me perdi. desde o parto, me lembro bem, meu pai me olhava nos olhos como se estivesse me dizendo em silêncio: “vá Júlia, encontre a direção”. pois bem, não a achei, nem nos primeiros passos e nem nos voos, nem nas asas e nem portos. hoje olho pro céu e percebo o que é errôneo na vida, e digo mais, encontro nas estrelas uma única resposta para a pergunta intangível sobre o propósito da existência. a resposta não me vem em palavras, mas em sentidos e instintos, como se fosse uma intuição.
a respiração me aquece, e você vai me dizer que isso não é tudo?
daqui de onde estou, o azul me trás calma e o vento a paz, e isso não é tudo?

todo mundo tá perdido, que lindo, todos os caminhos se encontram
todos os encontros perdidos nos caminhos.