Garçom? Trás a conta por favor!

Vim pra cá, tolamente em busca de você. Deixei minha casa. Meus discos. Meu edredom xadrez jogado pelo chão. Trouxe só uma bolsa de mão. Dinheiro suficiente pra te pagar um café. É que na minha cabeça, eu imaginei que teríamos de alguma forma esse reencontro. Que o tempo iria passar, e o tempo exerceria sua mágica. Daquele tipo que nos faz ver as coisas de um modo diferente. Do tipo que vemos a pessoa com um novo corte de cabelo, um novo estilo de se vestir, mas com o mesmo sorriso nos lábios. Sentaríamos numa cafeteria, e falaríamos sobre aqueles dias do passado. Sobre as nossas estupidez. Sobre as coisas que não nos arrependemos. Sobre como tinha sido bom aquele reencontro tão casual. - casual pra você, já que comigo é tudo planejado - . Mas, agora estou aqui sozinha, sentada na mesa da cafeteria, escrevendo em um guardanapo. Só agora que fui me dar conta que eu não trouxe meu casaco, estava esperando por seu moletom azul. Só agora que fui me dar conta que, o tempo passou, mas não o suficiente pra exercer a tal mágica - milagre - sobre você. Você ainda continua a mesma pessoa babaca que eu deixei pra trás.” _ Garçom? Trás a conta por favor!