dançar a música que tocava lá

Ter que voltar para casa depois de dias ao seu lado, foi pior que um soco direto no queixo. Você me fez provar a felicidade que eu nem pensei ser capaz de sentir, que eu nem sabia que existia. Você me mostrou que dá para ser simples e inesquecível, sem precisar de tanto esforço. Foi correndo na areia da praia, naquela disputa de quem chegava primeiro, que eu percebi que ser feliz é fácil, desde que seja com você. E sobre a disputa, eu cheguei primeiro, mas quem ganhou foi você, ou melhor, quem me ganhou — pela milésima vez — foi você. Você me ganhou quando brincou na gangorra comigo, e me convenceu a pular do balanço super alto só para sentir o vento batendo no rosto. Você me ganhou quando me puxou pelo braço em frente ao barzinho da sua rua, para dançar a música que tocava lá. E falando em dança, você me ganhou naquela valsa sem som, em frente ao restaurante japonês. Você me ganhou quando fomos no cantinho infantil do bar e ficamos jogando videogame, sem nos importar com o que achariam da gente. Você me ganhou quando não ligou se estava pagando mico ou não e decidiu, assim, do nada, dizer para o segurança da Subway que eu sou linda. Você me ganhou quando segurou minha mão na rua e me pediu para ficar do “lado seguro da calçada”, que é uma mania de proteção sua. Você me ganhou no carinho de dedo na mesa do shopping, enquanto nossas famílias se conheciam. Você me ganhou todos os dias quando eu acordava e sentia seus braços em volta do meu corpo, ou quando você me acordava com seus beijos e carícias. Você me ganhou com suas manhas e suas manias. Você me ganhou, me roubou, me fez perder o caminho de volta. E eu não sei voltar, amor. Eu nem quero voltar. Droga. Eu voltei e acordar sem você foi horrível. Eu senti seu cheiro, mas não senti seu abraço e nem seus carinhos. Eu senti sua falta, mas não senti você aqui. Eu senti tanto e eu sei que vou continuar sentindo muito até a gente se encontrar de novo. Eu sinto tanto, que você nem imagina o quanto, e é um privilégio poder sentir e saber que tudo isso é real. É completamente inexprimível a sensação de ter você como namorada, eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo por saber que muitas vezes sou eu o motivo do seu sorriso. E é isso. Eu realmente não me importo em ter que passar horas e horas viajando, se quando eu chegar você abrir um daqueles sorrisos que preenche meu peito de alegria e satisfação. Eu não me importo em ter que ficar um tempo longe, sentindo a saudade sufocando, sentindo falta do teu beijo, do teu toque, do teu abraço quentinho, se depois de tudo a gente se encontrar e descobrir novas maneiras de ser feliz, porque para ganhar um sorriso seu, eu faço todo o esforço do mundo.
Jamilla Gauy, sobre ela.

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