Um medo da palavra amor

Um medo da palavra amor. Porque se eu dizer que te amo, talvez os muros da consolação caiam por terra e a avenida paulista se transforme em cacos. Medo da palavra como algum tiro no peito: tum tum tum e de repente um angolano é degolado por vivificação. Dizer te amo, talvez, implica em alguma fraqueza? Talvez soe como um desespero de alguém que se debateu por muito tempo e agora respira respira? Pois estou te respirando como alguém que, debaixo do subterrâneo Sírio, coloca o nariz em uma espécie de buraco e inala o ar cheio de sangue mas que salva. Há uma salvação em mim, há uma vontade de dizer, não porque eu te ame (ou sim, quem sabe dessas coisas desses limites e desses desejos?) mas porque sua mão agarrou minha costela, seus braços levantaram os meus, e com força e esperança, você ergueu minha paz para além do dia das noites e da tribulação. Dizer porque talvez, em outro mundo estranho que não esse, exista essa coisa de não ter medo de simplesmente dizer que o sentimento salva da sentença. Você tem me salvado e por isso o medo está indo - para longe, para um infinito dentro do nada.

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