O que estes homens esperam da existência?

Preciso de mais tempo para digerir o que não entendo, este acúmulo ininterrupto de coisas incompreensíveis tem me tornado um homem que não suporta seus próprios ombros. Falo deste maniqueísmo irrisório que nos consome. Falo desta necessidade ignóbil de vomitar certezas. Falo desta capacidade repugnante de se determinar o desconhecido. Sempre que me deparo com tudo isso, sinto uma necessidade insaciável de questionar: é tão fácil assim determinar verdades? Num universo tão vasto como o que habitamos, onde cada pessoa é um mundo particular, será mesmo aceitável esta ideia grotesca de que todas as coisas são existências sustentadas por duas faces? Existirão apenas dois caminhos? Certo e errado? Verdade e mentira…? Onde está o talvez? Por que tantas criaturas insistem em negar a ideia da dúvida? Por que é tão insuportável assim tentar imaginar além do que nossa insignificante percepção consegue apreender? Será que todos estes homens sabem o quanto pesa a aceitação da certeza? Seres estagnados… Mentes cristalizadas… Intelectos que não vão além do próprio umbigo… Idolatram o que lhes conforta e não compreendem o quanto isto é nocivo às relações sociais. Colocam suas crenças em pedestais, esmagam violentamente o que lhes contraria e cospem de maneira asquerosa na face dos que não aceitam de cabeça baixa suas tolas imposições. O que estes homens esperam da existência? O que lhes vêm à cabeça quando se admiram no espelho ao arder da primeira aurora? A ignorância é uma benção… Que quase sempre se torna maldição, quando o abençoado portador da verdade resolve abrir sua boca.
Otávio L. Azevedo

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