culpar alguém pela nossa tristeza

A gente gosta de culpar alguém pela nossa tristeza. Mas de fato, fazer isso não vai diminuir a dor e muito menos acabar com ela. O pior é que a gente sabe disso, mas não aceita. Tornamos um vício o ato de colocar essa culpa em uma pessoa, porque assim não precisamos admitir que o culpado somos nós. E a culpa é somente nossa. Porque aquela donzela ou aquele carinha que te deu um fora mês passado, não está trancado em um quarto se remoendo por ter acabado com você. Nem se queixando para os amigos mais íntimos como sente saudades e do quanto sua presença faz falta. E pode ter plena certeza que eles não tem nenhum peso parado na consciência, por ter deixado alguém triste com a partida e nem sequer se importam se alguém sofreu ou não. Eles certamente estão curtindo a vida e conhecendo outras pessoas e outras bocas e outros corpos e outros copos. Eles não precisam colocar a culpa em ninguém porque a gente torna deles a culpa. E esse é o nosso maior problema. Deixamos nossa felicidade cair no conformismo de que só vamos ficar bem diante de outra pessoa. Que só vamos ser felizes caso nossa história se compare a essas mil outras que encontramos nos livros de romance. Mas a diferença, é que na vida real o nosso grande amor nunca age como nos capítulos finais do livro e não existe o felizes-para-sempre. Aqui, eles traem, mentem e fazem a gente acreditar que realmente somos importantes. Acho que é por esse e outros motivos que insistimos em acreditar que a culpa é sempre deles. Mas não é. E nunca vai ser. O nosso orgulho não deixa a gente se conformar que aqueles que nos magoaram estão ocupados demais aproveitando o tempo, e acaba inventando essa desculpa para nos sentirmos melhor. Temos que mudar isso caso a gente queira ser mudado. E a culpa é só nossa. Por escolhermos apenas o que faz bem aparentemente, á primeira vista e de primeiro momento. A culpa é nossa por nos apegarmos constantemente a alguém que não conhecemos de verdade. Que nunca tocamos a alma e sentimos ser tocados. A culpa é toda nossa por escolhermos sempre a pessoa errada, mesmo sabendo disso, e ainda assim, insistir que ela é a certa.
Pedro Pinheiro.