Eu perdoei, mas não esqueci.

Eu perdoei, mas não esqueci. Eu queria esquecer, juro. É difícil. Não consegui me esquecer de todas as noites em que eu fui dormir esperando que no outro dia, você tivesse mudado de ideia sobre nós. Era o que eu mais queria: ter você de volta. Eu só queria uma chance; um recomeço, talvez. Mas para isso, seria necessário que houvesse um consenso entre as duas partes e nesse caso, a parte afirmativa só vinha de mim. Eu chorei tantas e tantas vezes. Me acabei por você. Quase deixei de existir, quase me destruí. Afoguei todas as mágoas que pude ao som de Tove Lo, na maioria das vezes, ouvindo “Stay high”. E tudo, tudo sempre me levava de volta até você. Confesso que até hoje não consigo ver “Querido John”, tudo isso por sua causa. Nem “Cartas para Julieta”. “P.S.: Eu te amo” então, nem se fale. O problema é comigo? Todas essas lembranças martelam por horas e horas na minha cabeça. E eu nunca sei. Eu não sei de nada. Aquela sua carta… nem sequer tive coragem de jogar fora. E olha que eu tentei. Tentei me livrar dela diversas vezes, só para evitar ler mais uma vez todas aquelas palavras cobertas de mentiras que você fez questão de escrever tão bem. Deixa pra lá. Já passou. É sério. Eu perdoei, já disse. Só não pretendo esquecer.
Sofia, consteleis.