Um livro sobre a solidão

 Solidão


Resumo escrito por:OUTONODAVIDA
O Prólogo do livro relata a morte de um amigo do Autor, para o qual a existência havia sido generosa, proporcionando-lhe tudo o que um homem pode sonhar. O desejo desse homem era o amor, que ele nunca conseguiu encontrar. E morreu de solidão. Foi para esse amigo que o Autor dedicou esta obra.

Nunca, como em nossos tempos, se conviveu tanto com a solidão e, de forma sutil ou plenamente admitida, nunca se falou tanto sobre a mesma.

Embora considere que se trata de um tema indecifrável e inenarrável, para o qual as palavras parecem sempre inúteis e precárias, o Autor busca apresentar um estudo, no qual objetiva examinar a fundo o que é a Solidão.

Informa que ela está mais presente hoje do que em qualquer outra época, quando havia tempo e lugares povoados por ela, muitas vezes por opção dom próprio homem, que queria estar só e resolvia isolar-se. Hoje, no entanto, a solidão não está mais restrita, mas envolve a humanidade, como um todo, formando uma imensa humanidade de solitários. Vivemos, realmente, na civilização da solidão. Cidades imensas, excessivamente povoadas, onde vagueiam homens imersos na solidão, que os arrasta nas ondas de um anonimato implacável.

E a solidão pode levar ao desespero, ao vazio, à loucura e à morte.

O Autor fala de uma sociedade que se fechou como uma ostra sobre sua pérola ou como um inseto dentro de seu casulo. Nela, não ficamos mais ao lado de outros, mas esmagamo-nos uns aos outros, correndo atrás de triunfos egocêntricos e duvidosos. Tornamo-nos uma infinidade de homens sós, habitantes do nada, nas cidades de ninguém. Um aglomerado de solidões. Irmanados pela solidão, em alguns ela é maior do que em outros, mas todos, sem exceção, em maior ou menor intensidade, estão envolvidos por ela. Alguns, a admitem abertamente, outros a rejeitam, negam e escondem. Ilhas de solidão, nas quais a fraternidade humana é dilacerada pela incomunicabilidade, em pleno século das comunicações em massa. Continuamos a afastar-nos uns dos outrois. E desse afastamento surgem as divergências, o menosprezo, os conflitos e o ódio. Todos os homens estão fadados ao desencontro, inconscientes de que o encontro só será possível superando o nosso eu e abrindo-nos ao você.

Após analisar a tristeza que vem da solidão, com suas lágrimas, seu desespero, seu terror, sua sensação de abandono, o sofrimento crônico do não-amor e do não-ser-para-ninguém, aborda a ilusão da solidão e a solidão apaziguante. A seguir, expõe as caracteríticas da Solidão Verdadeira, partindo do princípio de que ela não é vivida da mesma forma por todos, havendo, inclusive, aqueles para os quais ela não passa de um pretexto para a autocompaixão ou para justificar situações injustificáveis, enganando aqueles com quem vive e exigindo deles condenscendências imerecidas. Essa, é juma solidão mentirosa, que serve para mascarar a nós mesmos e para enganar a nós mesmos e aos outros. Então,m expõe a verdade da solidão, a solidão absoluta, o caminho solitário, a solidão cultivada e a solidão criadora.

A solidão cultivada e criadora, quando vivida de maneira consciente, pode ser a fonte de uma renovação, capaz de levar o espírito à auto-superação. Se captarmos a fecundidade que há na mesma, se soubermos ver nela uma fonte dse reflexão e de meditação, ela deixará de ser hostil, tornando-se uma fonte de recursos, para aquele que procura conhecer-se, desc obrir-se no que há de menos manifesto e alcançar a dimensão de seu projeto de vida mais secreto. Nesse momento, a solidão se torna preciosa e indispoensável, para que a vida não se torne uma lastimável ruína.

Não cabe falar da solidão, apenas, como sendo fonte de amargura. Muitas vezes, a solidão é uma situação fértil e fecunda. Não mais um castigo para o homem, mas uma libertação, um direito que precisa e deseja exercer. Nela, o homem tem a possibilidade de atingir sua plena identidade e reeencontrar-se tal como ele é em si mesmo. A sós com sua alma, ele pode conhecer-se, verdadeiramente. Essa solidão, que pode ser uma fortaleza, é fonte de paz, de liberdade. É a solidão preciosa.

É certo que a solidão é um dos componentes da condição humana. É resultado, primeiramente, do ser e, em seguida, do pensamento. Do ser, porque cada um, vivendo em seu corpo, está entrincheirado em si próprio e solidamente individualizado. Vive nele mesmo. Do pensamento, porque tudo o que vê, ouve, sente, vive, toda a sua experiência de vida, toda as coisas e as pessoas que fazem parte de sweu mundo, tudo passa por seu pensamento individual e tudo e todos estão submetidos ao filtro de seu pensamento.

Com toda a certeza, a solidão é inerente ao ser humano. Não há caminho de fuga para essa situação. Mas como viver a solidão e o que fazer dela é algo que pode estar sob o controle de cada um.


Crônica da Solidão Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/2383457-cr%C3%B4nica-da-solid%C3%A3o/

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