ser um bom pai na separação

Paternidade Ativa na Separação de casais


 por:Caramuru666
A instituição família obedece a um código vigente do ponto de vista legal, que determina a guarda de uma criança preferencialmente a mãe, quando ocorre a ruptura do vínculo conjugal.
O movimento ativo da mulher no contexto atual da nossa sociedade vem alternando os contornos da família, como diversos estudos já apontaram.
A inserção do homem nesse contexto global, onde monitora não haviam mulheres e se haviam tinham outra postura e consciência de si mesmas, vem se alterando.
Este estudo levou-no a entender que o pai de hoje, no contexto de separação conjugal, necessitou efetuar uma revisão de seu papel já definido institucionalmente, vez que os padrões de comportamento não persistem quando não há constante confirmação dos atos dos outros.
A mediação entre o tradicionalmente estabelecido e uma nova possibilidade que se descontina para o homem, possibilita o entendimento de que a visão de pai vem se alterando. Não somente a visão, mas todo um pensar e agir do homem frente a paternidade.
Segundo Bleger e Luckmann (1985, p.190) “ são necessários graves choques no curso da vida para desintegrar a maciça realidade interiorizada na primeira infância”. Os graves choque podem ser atribuídos em primeiro lugar à própria postura da mulher e da mãe que na relação complementar com o pai tornou-se mais combativa, indo atrás de seus direitos e dos sues filhos, inclusive no tocante a que eles continuem tendo um pai. Em segundo lugar temos uma alteração na própria postura dos filhos, que acabam tendo chances de optar, a partir de uma certa idade, com quem desejam ficar após ruptura conjugal dos pais.
A luta judicial dos pais pode ser entendida como ponta de um enorme iceberg, vez que o ser um “pai-ativo” [e decorrente de metamorfoses diversas que vem ocorrendo com a consciência do próprio homem.
Os homens pesquisados relataram seus históricos de vida, cujo tópico central orbitou em torno da paternidade. De uma maneira ou de outra trouxeram á tona a certeza de terem uma compreensão sobre a questão da relação pai/filho, que os torna donos de um papel único a ser representado, um papel sobre o qual eles dialogam ao invés de aceitarem e desempenham passivamente.
Na posição de peritos atuantes nas Varas de Família, as bases para análise periciais levam em conta aquele pai e não os pais de maneira geral, cuja definição legal chega a relega-los a menos expectadores da educação e cuidados da prole.
O fato de termos eleito esses três homens como típicos, nos levou a fazer um paralelo com o que já se sabe sobre a historicidade das sociedades e o surgimento das identidades particulares:
“As sociedades tem histórias no curso das quais emergem particularidades identidades. Essas histórias, porém, são feitas por homens com identidades específicas”.
...As estruturas sociais históricas particulares engendram tipos de identidade que são reconhecíveis em casos individuais”.
(Berger e Luchmann, 1985, p.228)
Aquele homem que consegue captar um movimento de mudança, ou necessidade de alterações de vida num contexto mais amplo, consegue traduzir de maneira singular o que parece vir se impondo como generalidade.
O movimento interno do pai-ativo é iniciado a partir de mudanças estruturais na vida de um homem. Aqui localizamos o advento da separação afetiva da mãe como sendo um marco para que se estude esse ser pai, já que nossa atuação profissional lida especificamente com casais separados.
As vivências trazidas com a ruptura do casal de pais foram o homem a buscar um espaço próprio junto ao filho, não mais a sombra da mãe da criança. Apenas prover materialmente não preenche internamente as necessidades internas masculinas. Ele quer colaborar no sustento e na criação da crianças em todos os seus aspectos.
A luta travada internamente vem se organizando a ponto de cada vez mais os homens estarem entrando com ações judiciais para que tenham legitimado essa necessária atividade sobre o filho.
O contexto social em que os homens vivem; a história vivida por cada um contribui para essa importante metamorfose da identidade masculina.
Na mesma marcha, o Poder Judiciário parecer vir se abrindo para a escuta mais individualizada de cada homem, surgindo aí, a contribuição fundamental do perito psicólogo na avaliação de cada caso.
O papel de pai veiculado atualmente exige um personagem que vai se identificar com um pai mais ativo. Agora, como cada homem vai articular-se mediante essa exigência interna e externa, vai variar de homem para homem.
A atuação do personagem pai pode variar, mas em qualquer rumo tomado, essa atividade indica um pai mais disponível para o relacionamento com o filho.
Esse trabalho, ao nosso ver, obteve seu objetivo ao trazer a experiência prática vivida nas Varas da Família como psicóloga atuante nos casos de separações conjugais, uma reflexão científica mais estruturada sobre a questão da paternidade.
Os contextos das separações entre um pai e uma mãe podem variar, mas configuram alterações importantes nos modelos tradicionais dos papéis parentais.
O complemento legal demonstrou ver acompanhando essas transformações, podendo inclusive ser objeto de estudos futuros.
Ser um “pai-ativo” remete sempre a idéia de “um novo homem” e o primeiro só pode surgir se o segundo compreender melhor ele próprio e a vida. O pai de antigamente existe como pano de fundo, mas sobre ele conclui-se que se projeta o “novo”, que em conformidade com Nolasco (1993) exige uma mudança no papel dos atores.
Finalizando esse estudo o qual teve a pretensão de entender a identidade de pai após separação conjugal, com a certeza de que o “pai0ativo” não se resume a uma categoria, a um dos muitos papéis desempenhados pelo homem. Mas existe enquanto uma tendência que paulatinamente vem se instalando junto a mentalidade masculina o que pode transformar algo individual em coletivo.

Paternidade Ativa na Separação Conjugal Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/2343617-paternidade-ativa-na-separa%C3%A7%C3%A3o-conjugal/

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