Promessas que amantes fazem



Resumo escrito por:Maria_Truccolo
"É complicado
Mas vai descomplicando
Se implicando
Simplificando... (na unidade)"

* De um paciente internado em um dos hospitais psiquiátricos que conheci.

Se a obra em questão pudesse ser resumida numa frase, seria: “Os problemas emergem quando não se está incluído.

” Porque as “Promessas que os amantes fazem quando já é tarde demais” na verdade não deveriam ter sido proferidas antes nem no agora. Muito anteriormente e quase sempre que possível elas deveriam ter sido cumpridas. 


 
É o compromisso com o sentimento (e não com as palavras) que constrói o envolvimento, o “estar incluído”. A falta desta responsabilidade pelo e no relacionamento faz o caldo entornar, é a gota d’água fervente transbordante de ira e ódio, não mais de paixão amorosa. E aí as promessas chegam e já vão tarde, tarde demais. Tipo “descanse em paz!”  – e longe de mim.

Daí em diante, diga-se, é preciso fazer o luto, pois o ódio preponderante é uma liga tão intensa quanto o amor   - quando este prepondera e prevalece sobre o ódio. O rastro de ira e destruição deixados por relacionamentos mal-resolvidos pode levar ao luto patológico e/ou à melancolia   (leia mais em “Luto e Melancolia”, observações sobre texto de Sigmund Freud, feitas por esta autora Maria_Truccolo, neste site), daí a necessidade de livrar-se do defunto sem mais mágoas, ressentimentos (luto patológico) e identificações projetivas e introjetivas (melancolia).  

Encontrar este livro e mais alguns exemplares em oferta por R$ 2 num balaio de uma loja de quinquilharias domésticas em Porto Alegre (RS) foi uma grata surpresa. Ironicamente... quem disse que certos relacionamentos ou até a maior parte deles não se assemelham a quinquilharias domésticas? Daquelas antigas, das quais a gente não quer se desfazer, na promessa de que um dia terão alguma utilidade?... Sem falar na culpa que assombra por se ter colocado fora algo herdado da mãe, que ganhou da avó, que recebeu solenemente da bisavó...

 
“Algumas mulheres, na verdade, se sentem atraídas por homens que parecem não ter “nada a perder”, visto que já perderam tudo, o emprego, a esposa, o dinheiro e por aí adiante. A explicação óbvia seria que, sem nada a perder, a mulher pode encontrar no homem uma imagem de si mesma. Mais interessante, talvez, seria dizer que, se não falta nada ao homem, tornando-se a causa do seu desejo, uma mulher pode criar uma falta no homem e, portanto, funcionar ela mesma como a causa da falta nele. Ela se torna, por assim dizer, o órgão sem o qual ele não pode funcionar.”

 
O trecho acima dá o exemplo da mulher fálica, a poderosa, que não pode faltar ao outro. Talvez um infeliz exemplo de inclusão onde parece que nada mais falta, porque se perdeu tudo, e nem aquela bengala que se usa diante da surpresa, “era só o que faltava”, cabe mais.

Não sei se por erro de tradução ou ingenuidade do tradutor está posto: “parecem não ter nada a perder”. Ora, quem não tem nada a perder, tem algo a perder. Agora, é de se perguntar que quinquilharia doméstica  (de domesticar, mesmo)  uma mulher destas herdou da mãe, que ganhou da avó, que recebeu da bisavó... Afinal ela tem nada a perder e só passa a ter algum valor como algo que preenche a suposta falta no outro. Não é pouca coisa, como explica Sigmund Freud no Complexo de Édipo   - e como bem expõe o autor.    


Darian Leader é psicanalista em Londres, conferencista sênior em Estudos Psicanalíticos na Leeds Metropolitan University e membro fundador do Centro para Análise e Pesquisa Freudiana. Autor de “Lacan for Beginners”, Leader oferece uma obra densa que afasta pra muito longe a sugestão de auto-ajuda dada pelo título. Ele entremeia filosofia e   teoria psicanalítica de primeira linha  (Jacques Lacan, Donnald Winnicott, Sigmund Freud e outros)  com recortes clínicos de histórias de pacientes e de filmes e obras literárias, como Quatro casamentos e um funeral, Rebecca e Hamlet.


Promessas que os amantes fazem quando já é tarde demais Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/books/dictionary/2109640-promessas-que-os-amantes-fazem/

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