Livro O diabo



Resumo escrito por:Maria_Truccolo
Mato a mim por meio do assassinato do que há de mim no outro. O diabo, de Leon Nikolaievitch Tolstói, é o que habita de insuportável em cada um de nós, por isto mesmo atribuído ao outro. Não um outro qualquer. O outro objeto do desejo.


Evguêni Ivânovitch Irtênev herdou as dívidas e quase ruína do pai falecido. O passivo inclui a mãe e seu ideal de ver o filho casado com uma boa moça. Muitos fardos a Evguêni. Enquanto a moça idealizada pela mãe não aparece, ele se diverte com uma mulher casada, Stepanida, cujo marido parece não se importar.


O que era apenas uma brincadeira vira obsessão, e é aí que o tal demônio inventado por nós mesmos passa a carregar as culpas pela solene covardia de Evguêni. Medo, muito medo. De não dar conta do seu desejo. Então, acaba realizando o desejo da mãe, mesmo atormentado pela persecutoriedade fantasmática da amante, a quem realmente deseja.


O que de início era apenas um alívio para a abstinência sexual do jovem de 26 anos, solteiro e sem qualquer pretendente à vista, ao longo do tempo torna-se dependência.


“Ela o agradava, e ele achava que aquele tipo de relacionamento, em que não via nada de ruim, era-lhe indispensável. Mas, lá no fundo, ele tinha um juiz mais severo, que não apoiava este comportamento e esperava que fosse a última vez.” (p.15)


Estranho que o autor tenha construído a primeira frase acima, desse jeito, nas primeiras páginas do conto. “Indispensáveis” os encontros ficaram depois, na fantasia de Evguêni, e não no início, quando o relacionamento era percebido com muita frivolidade, libertinagem.


As cobranças superegóicas, responsáveis pelo agigantamento da fantasia de Evguêni por Stepanida, só aparecem depois que ele está casado (e entediado?) com a moça ideal para sua mãe, Liza. Será o superego o diabo particular de cada um?


A exigência do superego e o desejo da mãe em relação ao filho é que ele seja decente, se paute por regras morais e outras virtudes que fazem face à satisfação social. Tal pressão exerce uma força contrária, justamente a que o aproxima da amante, obsessivamente.


Até que enfim Evguêni, como um deus, decide que alguém precisa morrer. Fantasia o assassinato da esposa, depois o da amante e o seu. Tolstoi escreveu dois finais, e assim voltamos ao começo: Mato a mim por meio do assassinato do que há de mim no outro. O diabo.



O diabo Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/books/classic-literature/2349099-diabo/

Comentários