Conto O retrato



Resumo escrito por:Maria_Truccolo
Um dos fundadores da literatura russa moderna, o ucraniano Nicolai Vassilievitch Gogol contribuiu também com o realismo fantástico, como neste conto, que oferece uma reflexão sobre a vida e a arte. Através dos olhos de um homem asiático, cuja intensidade aterroriza os que entram em contato com “O retrato”, Gogol revela o mundo artístico e suas mazelas, desde a pobreza material à miséria moral e ética em troca do reconhecimento e da riqueza a qualquer preço.


O que apavora no olhar do retratado, que por vezes salta da tela, é o reconhecimento do que há de mais vil em cada um que se apropria da obra


. O agiota de olhos demoníacos, retratado por um pintor que inclusive abandonou este trabalho por sentir-se mal ao fazê-lo, primeiro paga as contas e até enriquece seus amos, depois a cobra. O custo é a insanidade, a demência e a morte. O que querem aqueles olhos? A alma, assim como um diabo na encruzilhada.


Todos que cruzam o seu caminho, antes mesmo de o quadro ser pintado, acabam na ruína. Menos por obra do agiota asiático e muito mais pelo desleixo, a preguiça, a cobiça e a ambição dos que dele se servem. Os olhos pintados na tela são como um espelho aos que os fitam. O fantástico desvanece, pois o que enlouquece é a vaidade, a inveja, o ciúme e outras paixões desmedidas de cada um refletida na conduta do outro.


Vaidade, aliás, que ultrapassa fronteiras de pincéis e palhetas.

Uma Vênus transforma-se para dar vida à natureza morta de um rosto sem graça.


 Não importa que a virgem tenha sido desfigurada, sua mãe a enxerga assim, uma Vênus castrada. A própria senhora também terá seu retrato, com muitos retoques e distante de parecenças. Sem identificação de si e sem se dar à identificação à filha.


Gogol, porém, não é um moralista. Apenas expõe situações corriqueiras no formato de uma grande obra. Escrita clara e objetiva, sem ser superficial. Mergulha nos sentimentos que nos fazem humanos e que, por isto mesmo, dada a fragilidade desta condição, altamente autodestrutivos - antes que o retrato, os olhos de um outro nosso igual, por pretensão nossa, o faça.

O retrato Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/books/classic-literature/2340447-retrato/

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