Brilho eterno de uma mente

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Resumo escrito por:Maria_Truccolo

“Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, drama de 108 minutos, é um filme sobre o amor. Num primeiro momento, pode-se até pensar que o as personagens Joel (Jim Carey) e Clementine (Kate Winslet) vivem apenas uma paixão.


 Mas, não. O que depois querem apagar da memória, como se fosse possível livrar-se de um trauma, revela-se como estruturante (e não como espelho), mesmo sendo causa de prazer ou de dor.

No desenrolar da trama, a maior parte do tempo é dedicada às lembranças que Joe tem de Clementine e que ela tem dele. Ambos procuraram o mesmo serviço de intervenção neurológica para apagar suas memórias do caso supostamente mal-sucedido e finalizado. Porém, na medida em que a mágica tecnológica vai tornando pó o que talvez tenha sido o melhor de suas vidas, os dois, separadamente, passam a resistir à perda das lembranças.


O “brilho eterno” referido no título diz respeito à vida intocada pelas emoções, sentimentos, como amor, raiva, ódio, paixão e compaixão e muitos outros. Por isto mesmo tal estado pode ser atribuído à morte. Só não lembra quem está morto. E a nós humanos o que chega é o brilho frio de estrelas que já há muito tempo... não existem mais.


O amor entre os dois os faz ver as diferenças entre um e outro, e é isto que um joga na cara do outro, mesmo sem estar cara-a-cara, por meio de confissões em fitas cassete, em que declaram por que odeiam. Mas, não por que amam. Por que amam vai aparecer no inconsciente acessado por eles por meio da máquina de apagar a memória. Como se ela dissesse: é isto mesmo que você quer apagar? A revelação dos sentimentos inconscientes para si mesmos, intimamente, leva a uma certa elaboração e à valorização do que se passou.


Se quisessem apagar apenas um apaixonamento, talvez vissem a si mesmo no outro. Poderiam elaborar e valorizar, mas apenas a experiência em si e para si, e não o outro e o relacionamento. As lembranças, enfim, se primeiro incomodam devido a pensamentos obsessivos sobre o objeto perdido, passado o estado de luto, são importantes no sentido de preencher, ainda que parcialmente, um sentimento de falta.


Brilho eterno de uma mente sem lembranças Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/2368702-brilho-eterno-uma-mente-sem/

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