Biografia Van Gogh

Van Gogh

Resumo escrito por:Maria_Truccolo

Grandes Mestres (Abril Coleções) tem entre seus 25 contemplados Vincent. Sempre prefiro Vincent, porque a família holandesa Van Gogh, que desconheço, deve ser extensa no sobrenome. Para quem gosta de curtir a arte do pintor pós-impressionista a publicação de 160 páginas traz reproduções de obras expostas em museus de todo o mundo, em especial em países do Primeiro Mundo. 


Além disso, há obras de outros grandes mestres, como Paul Gauguin e Jean Baptiste Camille Corot, as quais Vincent relia, imprimindo toques originais.

A de que mais gosto, porém, além das sequências de girassóis reinventados de tudo o que é jeito, é a "Noite Estrelada" (Ciprestes e Vila), de junho de 1889, exposta no The Museum of Modern Art, Nova York. Ciprestes são árvores que comumente ornamentam cemitérios. Mas entre esta tela e a morte de Vincent, em 27 de julho de 1890, houveram várias e entre elas a derradeira “Campo de Trigo com Corvos”, que inclusive deu vazão a interpretações psicológicas:
“No ameaçador vôo dos corvos, nos três caminhos que se perdem no campo, no céu fechado pela tempestade que se avizinha, podem ser lidas alusões ao desaparecimento existencial do artista e a sua intenção de suicídio.” (p.142).

Mas, até o fim, Van Gogh pintou como bem descreve o psiquiatra e filósofo alemão Karl Jaspers (1883-1969), à p. 151:

“Em toda a parte percebe-se uma pesquisa apaixonada. Sentimo-nos impulsionados, de um quadro a outro, tomados nesta subida como um turbilhão... A terra das paisagens parece viver, levanta-se e abaixa-se em ondas, as árvores são como chamas, tudo se contorce e se agita, o céu palpita. As cores ardem. Justapondo e misturando as tintas, de forma surpreendente, Van Gogh atinge efeitos extraordinariamente crus e intensos. Não reproduz as cores, não reconhece a atmosfera e seus planos têm uma perspectiva simplesmente linear, mas toda a sensibilidade está ali, presente e tangível.(...).”

Jaspers era psicopatologista, fenomenologista e filósofo existencialista. Como tal, chegou a debruçar-se sobre obras de arte para estudar o processo da mente criativa. Por isto, penso que muito mais do que um exercício de crítica de arte sobre os quadros de Van Gogh, Jaspers, conscientemente ou não, expôs uma rara percepção da alma de Vincent: perspectiva linear sobreposta a uma estrutura diversa da considerada “normal” - e nem por isto patológica. Impossível se deparar com qualquer que seja a tela de Vincent e ficar indiferente. Elas até podem parecer, lembrar, desenhos infantis, mas estão longe de ser óbvias.

Cronologicamente estavam antes da fotografia, do cinema, enfim do movimento das telas de maior expressão tecnológica. E, no entanto, sempre foram puro movimento, impossível de as mais avançadas tecnologias captarem. O cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998) no filme “Sonhos” introduziu o público na tela “A Ponte de Langlois em Arles”. Apesar do encantamento, porém, percebe-se que a vida, de tão crua e real, não consegue imitar o imaginário e o simbólico irremediáveis e eternizados, ainda mais quando se trata de Vincent.

Em minha opinião, vale a leitura, apesar dos erros gramaticais e ortográficos que permeiam o texto durante todo o livro, evidenciando o desleixo inadmissível na revisão da tradução do italiano para o português e do texto final publicado por uma das maiores editoras nacionalis (Editora Abril). Mas isto acaba sendo menor ante a beleza indizível da criação de Vincent Van Gogh que, afinal, se valeu das palavras em traçados bem mais nobres.



Van Gogh Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/books/dictionary/2210245-van-gogh/

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