segunda parte física atômica conhecimento humano

 por:ProfAndreLuis
O VAZIO DO ÁTOMO II
Esta realmente é uma das mais polêmicas e debatidas questões envolvendo o conhecimento científico, em particular, o campo da Química. Para explicá-la, já surgiram inúmeras teorias, mas nenhuma delas capaz de dar fim ao assunto.
Se ampliássemos um átomo de hidrogênio, o mais leve de que temos conhecimento, a ponto de deixá-lo do tamanho de uma catedral – daquelas em estilo clássico, de altura bastante pronunciada – seu elétron seria do tamanho aproximado de uma pequenina moeda. Seu núcleo seria talvez do tamanho de um único e solitário sacerdote presente na catedral. Todo o resto seria vazio, seria oco. Nada mais haveria de tangível e palpável. Nada mais contém um átomo que possamos caracterizar como matéria. No caso de átomos de elementos químicos mais pesados, como ouro, chumbo ou urânio, a analogia seria a mesma, apenas com mais moedas e sacerdotes no interior da catedral.
Mesmo quando chegamos a materiais extremamente resistentes como o ferro, por exemplo, percebemos que ali há somente um confinamento de átomos de ferro, movimentando-se com extrema velocidade. Átomos movendo-se rapidamente, mas, ainda assim, átomos vazios. A impressionante impressão que temos de ser o ferro tangível deve-se fundamentalmente a dois fatores: à incrível velocidade de movimento dos elétrons no espaço interatômico, circundando e envolvendo seu núcleo em absolutamente todas as direções, e às frágeis e limitadas percepções humanas. Assim, unindo ambos, onde quer que olhemos, os elétrons estarão; onde quer que toquemos, também já estarão. Isso não é fascinante?
Aquecemos uma lâmina de ferro, aplicamos a ela energia calorífica, os átomos mover-se-ão com uma velocidade ainda maior e, por conseqüência, a lâmina aumenta em volume, expande-se. Em seguida, pela continuidade do aquecimento, o ferro muda seu estado físico, funde-se, tornando-se um líquido. Aplicamos então a esse líquido mais calor, e ele muda novamente seu estado físico, vaporiza-se; desta forma, teremos um gás. Entretanto, os átomos que o compõe são os mesmos. O que diferencia os estados físicos é a mobilidade de movimento de suas partículas constituintes. No estado sólido estas apenas vibram em pontos fixos, no estado líquido “rolam” umas sobre as outras, sendo que no estado de vapor movimentam-se em todas as direções e com alta velocidade. Assim, tudo aquilo que nos cerca não passa de átomos, átomos vazios, em constante movimento, em algum desses estados físicos.
Já não há a menor dúvida que é o movimento dos átomos – mais ou menos acelerado – que nos permite reconhecer a matéria como esta apresenta-se a nossos sentidos físicos. Por intermédio da velocidade de movimento das partículas formadoras da água, por exemplo, a reconhecemos em um determinado momento como um sólido, em outro como um líquido e em um terceiro como um vapor. É o movimento interno dos materiais que nos transmite a maneira de como os compreendemos através de nossos sentidos físicos.
Nossos sentidos não podem detectar que o átomo é quase um completo vazio e que é devido a seu movimento nossa impressão de suas diferentes formas. Não somos capazes de, olhando ou tocando, perceber que o “tangível” de todos os materiais não passa de “manchas de energia”. Nossos sentidos, entre os quais inclui-se a mente, deveriam nos alertar que, ao longo do tempo, estamos todos sendo enganados, quanto à estrutura da matéria e muitas vezes também quanto à nossos padrões pré-concebidos e nunca questionados.
 

Física ATÔMICA E CONHECIMENTO HUMANO Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/books/1923021-f%C3%ADsica-at%C3%B4mica-conhecimento-humano/

Comentários