Os astrólogos actuais podem repartir-se em duas tendências: os racionalistas e os espiritualistas



Resumo escrito por:novalis
Os astrólogos actuais podem repartir-se em duas tendências: os racionalistas e os espiritualistas. Os primeiros praticam a astrologia como um meio de conhecimento imediato dos homens. Empoleirada nas técnicas de investigação psicológica do século XIX e XX (psicanálise etc.), essa astrologia recusa as dimensões espirituais esotéricas. E, em suma, a irmã gémea da "medicina de consertos" ocidental, que só conhece o corpo material. Recusando a existência do corpo esotérico e do corpo astral, essa medicina só vê no homem um conjunto de reacções psicoquímicas. Como a medicina derivada das teorias de Pasteur, a astrologia racionalista ignora a finalidade cósmica do homem. Para os astrólogos da segunda tendência, os espiritualistas, o estudo do tema individual não só descreve o corpo doente, a mente desequilibrada, ou a vida emocional perturbada, como também, mais ainda, esse tema astrológico pode responder às questões fundamentais que o indivíduo se coloca: "Quem sou eu? Para que serve a minha existência? Aonde irei depois de minha morte? De onde vim?" O astrólogo espiritualista recoloca o homem numa estrutura de espaço e de tempo que esclarece sua finalidade. A astrologia espiritualista ou esotérica é naturalmente reencarnacionista. Seu nível de explicação é muito mais amplo. O tema actual representa apenas uma encarnação, a mais recente, que é a resultante das precedentes... O tema (em particular no momento da morte) chega a dar indicações sobre a próxima encarnação! Efectivamente, um tema analisado nessa perspectiva "cármica" explica luminosamente os gostos, o temperamento, os defeitos e as qualidades do nativo. Descemos aí a um nível de investigação muito mais profundo do que a psicanálise, já que essa astrologia espiritual reconhece a marca das experiências anteriores sobre o comportamento actual do sujeito. Os traumatismos das vidas anteriores podem ser lidos num tema se o astrólogo é suficientemente competente, e se as faculdades de juízo são suficientemente refinadas. Sem ser ela mesma uma religião, a astrologia espiritualista é uma espécie de revelação sobre a organização divina do Cosmos. Assim como a "religião" tem algo a ver com "ligar", a astrologia espiritualista nos liga ao "projecto divino". "No começo, Deus criou o céu e a terra"- diz o Génesis. E Deus diz: "Que haja luminárias no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que elas sirvam de sinais, tanto para as festas como para os dias e as estações." O estudo dessas luminárias devia ser uma forma de meditação transcendental. Assim praticada, a astrologia desemboca num deslumbramento, enlightment, como dizem os americanos (traduzindo assim a noção de iluminação, cara aos budistas). A astrologia, a cabala, a numerologia, a alquimia, o I Ching, etc. são os arcanos do conhecimento superior. Esta era também a maneira de pensar dos grandes mestres da Antiguidade. Aí está por que reencarnação e astrologia nunca se opuseram nas civilizações antigas. Caminhavam lado a lado, com toda a naturalidade, como dois tipos de pesquisas paralelas conduzidas simultaneamente pelos sacerdotes e pelos iniciados. Terão eles, entretanto, feito a síntese entre as duas? No Oriente, sim. No Ocidente é menos nítido. Um enorme número de tradições esotéricas ocidentais, que se transmitiam de boca em boca, perderam-se. Foi ocaso do ensinamento dos druidas, por exemplo que, na Gália e na Grã-Bretanha, bem parecem ter coordenado astrologia e reencarnação, como testemunha César. CALDEUS, GREGOS E ROMANOS Os caldeus, observadores pacientes e apaixonados do céu, criaram a astrologia ocidental. Seus assombrosos conhecimentos astronómicos haviam feito com que descobrissem os planetas, até Saturno, inclusive. Já haviam medido suas revoluções - sideral e sinódica, com uma margem de erro muito pequena, e podiam prever com antecedência sua posição. Eram particularmente bem informados sobre as diferentes fases da Lua, e previam com precisão a volta dos eclipses. Foram eles que, tendo traçado os limites da eclíptica, haviam-na dividido em 12 porções, que se tornaram os "signos do Zodíaco". E como haviam compreendido que certas posições astronómicas pareciam ocasionar de novo os mesmos movimentos (os mesmos traços de carácter), tinham desenvolvido a interpretação simbólica daquelas posições astrais - ou seja, a nossa astrologia.
Mas teriam eles associado esta última à reencarnação? Numa palavra, seriam eles capazes de reencontrar as vidas anteriores através da leitura de um tema? Não se sabe exactamente. Mestres consumados na arte de prever o futuro, interessar-se-iam pelo passado anterior? Os caldeus não eram certamente, assim como nós hoje em dia, estranhos à noção de reencarnação: Zoroastro parece ter sido herdeiro de uma velha tradição local. E altamente provável que certos sacerdotes-astrólogos iniciados utilizassem a astrologia para conhecer a evolução cármica das almas. Mas nenhum texto ou documento chegou até nós, actualmente. Os babilónios, que vieram depois dos caldeus, retomaram e desenvolveram amplamente sua ciência, tanto em astronomia-astrologia, quanto em esoterismo. Transmitiram-na aos gregos, de quem a herdamos. Pensa-se que os egípcios não ignoravam de modo algum a astrologia reencarnacionista. Mas seus conhecimentos nesse assunto permanecem tão misteriosos quanto a Esfinge e a Grande Pirâmide... Quanto aos gregos, um grande número deles, como vimos, acreditavam na transmigração das almas. Mas os filósofos do período clássico que a mencionaram não a ligaram à astrologia caldéia (que só foi vulgarizada tardiamente entre os gregos, no século III antes de Cristo). Entretanto, Alexandre trouxera brâmanes da sua expedição à índia, intensificando assim os intercâmbios religiosos com o mundo grego. As tradições caldeia e egípcia, assim como a mitologia grega e a influência indiana irão misturar-se para dar aqueles "mistérios" iniciáticos, tão em voga no início da era cristã, mas não parecem ter convergido para criar uma verdadeira escola de astrologia reencarnacionista. Ninguém, no Ocidente, parece ter-se preocupado em coordenar astrologia e reencarnação. Ninguém, salvo, talvez, os druidas. Mas estes logo vão desaparecer, sem deixar seus ensinamentos. A consciência das vidas anteriores apaga-se pouco a pouco na Europa, a partir do século VII. A astrologia, em compensação, permanece oficial ainda durante mil anos. Mas ninguém lhe pede que seja "reencamacionista". O Ocidente esqueceu tudo... Nos séculos XVIII e XIX, grande buraco negro: a astrologia, por sua vez, cai num descrédito total. Raros esotéricos, rosacrucianos, alquimistas e cabalistas conseguiram, no entanto, manter viva a chama, por vezes à custa de suas vidas. Eles estarão na origem de um renascimento que só se ampliará no século seguinte. Na Alemanha, Goethe, no entanto, mostrar-se-á convencido da realidade da reencarnação, e se apaixonará pela astrologia. Não estabelecerá, no entanto, a ligação entre as duas. Enfim, na segunda metade do século XIX, e no início do século XX, irão levantar-se alguns grandes espíritos que se voltarão para as fontes indianas e tibetanas: no Oriente não se rejeitou a reencarnação, nem a astrologia. Melhor ainda, integrou-se uma à outra, com toda a naturalidade! Corajosamente, pioneiros europeus e americanos reintroduzem no Ocidente esses dois espantalhos, "ilusões diabólicas", "especulações perigosas", nascidas de uma "mentalidade pré-científica". Como me dizia recentemente uma velha senhora: "A reencarnação? Minha filha, é muito perigoso mexer com essas coisas! Não se meta nisso de jeito nenhum. Todos os meus conhecidos que caíram nessa história tiveram os piores aborrecimentos!" A ASTRO
Astrologia e reencarnação Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/humanities/1684835-astrologia-reencarna%C3%A7%C3%A3o/

Comentários