o que sabemos hoje em termos de design em jornalismo



Resumo escrito por:camila_scf
Sem dúvida alguma, a reforma no Jornal do Brasil foi um marco para o jornalismo, especialmente na parte gráfica. Figuras como Jânio de Freitas, Reynaldo Jardim e principalmente Amílcar de Castro, contribuíram muito para que a reforma ocorresse.
O Jornal do Brasil foi pioneiro, pois foi o primeiro a ter uma seção feminina, a publicar caricaturas e histórias em quadrinhos. Já era por si só, um jornal moderno, por isso que a reforma pôde ser pensada. A partir da criação do Suplemento Dominical, e de seu sucesso, é que as mudanças começaram a ser pensadas.
Quando as mudanças começaram a ocorrer, muitos funcionários foram demitidos e novos entraram, em sua maioria com idades entre 20 e 30 anos, que não resistiriam às novidades como ocorria em outros jornais, em que as redações eram antigas e mais resistentes a reformas.
Amílcar começou por limpar as páginas, pois queria que a leitura fluísse com clareza. Pretendia retirar fios, títulos em negativo e grisé e as vinhetas. A retirada dos fios foi a mudança que mais encontrou resistência, pois pensava-se que estes eram funcionais, quando na verdade eram supérfluos. A retirada deles começou pelo Suplemento Dominical, partindo para a primeira página, e após, para o restante do jornal.
A primeira página, que em 1956 vinha com classificados e pequenas manchetes no topo, passou a ser repensada em 1957, quando apareceu com fotografias no centro da página, abaixo das manchetinhas. Em 1959, a primeira página vem com manchetes, fotos, textos e os classificados, que formavam um “L” no canto esquerdo da página. Tirando esse “L” de classificados, o restante era mutável. Poderiam ser usadas 2, 3 fotos em posições assimétricas, ou apenas uma no centro, mas sempre pensando na funcionalidade da leitura e na caracterização visual forte. Era usado, na primeira página, um diagrama de 9 colunas e 9 cíceros para o “L”, e outro com 7 colunas e 9 cíceros interposto para os textos do centro.
Amílcar saiu em 04/1958 mas retorna em 03/1959 ao Jornal do Brasil. Durante sua ausência, a reforma continua, principalmente no Suplemento Dominical e no caderno de esportes.
O segundo período da reforma foi caracterizado pela busca da funcionalidade na leitura, pelo dinamismo e pela criatividade. Ocorreram também mudanças na produção das notícias. Na parte gráfica, o texto é subordinado à foto. Amílcar ensaiava vários tipos de layouts, que facilitassem a leitura e fossem atrativos graficamente. Depois de ensaiadas e planejadas as páginas, é que se determinava o tamanho final do texto. Eram evitadas as fotografias muito poéticas, para dar maior espaço às informativas. As páginas passaram a ter orientação vertical, devido à distância que vai do plano do olho até as mãos, fazendo com que esta seja percebida verticalmente.
Outros jornais convidaram Amílcar para fazer reformas, mas em nenhum deles elas chegaram a ter a radicalidade da primeira, no Jornal do Brasil. Os pontos mais importantes das mudanças no Jornal do Brasil foi o investimento em pequenos anunciantes, a equipe talentosa e jovial e a confiança da diretoria.
Algumas das características que marcaram a criatividade da reforma foram: - a possibilidade de combinação de dois diagramas que se interpenetram; - a eleição da composição assimétrica e dinâmica da página; e - a modulação geométrica da página que permite a substituição de blocos de texto.
O estilo “Mondrian” é adotado: distribuição balanceada das fotos, com preenchimento de texto ou vice-versa, a largura da foto não era mais a mesma do texto e a fotografia é potencializada.
Na segunda reforma, as idéias que antes eram experimentadas no Suplemento agora são aplicadas a todo o jornal, que vira terreno para os experimentos. A primeira página é transformada diariamente e estas mudanças são passadas pouco a pouco ao jornal, até que este fique realmente de cara nova e se torne o símbolo da reforma gráfica no jornal impresso.
Com certeza o que sabemos hoje em termos de design em jornalismo resulta dessa época, de 56 a 61, em que pessoas como Amílcar de Castro não tinham medo de ousar ou experimentar. Não fosse a resistência encontrada em outros jornais, talvez tivéssemos tido um avanço bem maior naquela época. Vale lembrar que a reforma no Jornal do Brasil teve grande significado também devido ao momento em que o país se encontrava. Haviam condições favoráveis para o desenvolvimento da reforma, como o aumento dos movimentos modernistas e a abertura para idéias e realizações novas.
Dois estudos de comunicação visual Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/books/dictionary/1983900-dois-estudos-comunica%C3%A7%C3%A3o-visual/

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