medida que a criança projeta menos sua agressividade



POSIÇÃO DEPRESSIVA
Quando a criança consegue integrar os objetos bom e mau e as relações passa a se dar com um objeto total (criança consegue ver a mãe como um objeto único), ela encerra a posição esquizo-paranóide e inaugura a posição depressiva.
A cisão que era um mecanismo predominante na posição anterior agora tende a desaparecer e outros mecanismos passam a ser mais evidentes. As projeções, introjeções e identificações continuam ocorrem, mas vão gradualmente diminuindo.
A medida que a criança projeta menos sua agressividade, o objeto vai se tornando menos persecutório e a criança vai reconhecendo a agressividade como dela.
Se na posição esquizo-paranóide a criança tinha medo de ser destruída pelo objeto, nesta posição ela tem medo de destruir o objeto. Como agora o objeto é total, ao atacar o aspecto mal do objeto ele sente que atingiu o objeto bom também e por isso sente culpa.
A culpa é uma das angústias depressivas (ansiedade é o medo da culpa). Se a criança sente que realmente destruiu o objeto, ela sentirá a angústia depressiva da perda. O investimento da agressividade, em algum grau, vai gerar uma perda, seja pela destruição propriamente dita do objeto, ou seja, pela culpa de ter atacado um objeto bom também, levando assim o bebê à angústia depressiva. Tais ataques existem de forma fantasiosa no indivíduo.
Na posição depressiva, os mecanismos de defesa em jogo são:
· Reparação: se a pessoa se sente culpa de algo que fez, ela tenta reparar tal prejuízo seja fantasiosamente seja objetivamente. É o mecanismo mais comum contra culpa.
· Reparação maníaca: é a defesa contra a perda. É uma reconstrução do objeto em fantasia. É uma forma onipotente de atuação (“Eu mato e ressuscito quando eu quero”).
Às vezes as reparações não são suficientes pra que o indivíduo alivie sua culpa e ele é então obrigado a lançar mão de mecanismos mais onipotentes como as Defesas Maníacas.
DEFESAS MANÍACAS
· Negação: é a principal defesa maníaca e tem três tipos:
- Controle onipotente: a criança não se vê como alguém que depende dos objetos, no caso, a mãe. Se ela acha que destruiu a mãe, ela sente que não mais depende dela. Acha que a mãe não tem a real competência para cuidar dela. È uma negação da realidade, pois de fato a criança é dependente da mãe.
- Triunfo: aqui a criança nega o amor ao objeto. Ela estaria se mostrando numa maneira mais narcísica em que ela se sente triunfante, melhor e mais valorizada que o objeto.
- Desprezo: aqui a criança nega a importância do objeto. O objeto não seria digno de amor de tal forma que qualquer ataque ao objeto pode ser realizado sem culpa.

As defesas maníacas não constituem uma posição, mas pode inibir a entrada da criança na posição depressiva. O normal são essas defesas intercalarem com a posição depressiva. Klein acreditava que as duas posições e as defesas maníacas aconteciam até aproximadamente o sexto/oitavo mês de vida. Um indivíduo poderia ser marcado em uma dessas três possibilidades que estaria deixando um esquema de funcionamento que seria reforçado ao longo da vida e caracterizaria sua personalidade.


Comentários