evitar o tédio no namoro



Resumo escrito por:cragazzi
Eis a vida: um imenso parque de diversões. Você ganhou um bilhete para o carrossel, que é fofo e romântico, mas te enche de bocejos. E daí fica olhando a montanha-russa, pensando que bom deve ser tomar todos aqueles sustos. É, minha amiga, não é fácil. Antigamente as pessoas ficavam juntas por obrigação e pra sempre. Agora não. Enjoou, troca. Não precisa ter amor, mas precisa ter emoção. Se a gente não está se divertindo em tempo integral, parece que tem alguma coisa errada. Será mesmo? é ilusão pensar que a vida tem que ser emocionante o tempo todo. Nem dá. Até quando estamos sozinhas não escapamos da rotina: tem que acordar, ir pro trabalho, escovar os dentes antes de dormir. Tudo igual, todos os dias. Com alguém do lado, também é assim: tem as surpresas do começo, mas depois tudo volta ao seu devido lugar. E lá vem a rotina nos pegar quando estamos dormindo - no ponto. Sim, porque rotina não é sinônimo de tédio, nem é um ser imaginário do mal que vive espreitando a gente. Quem transforma o dia-a-dia em chatice, adivinhe só, somos nós. Sabe quando a gente era criança, e um dia pulando na cama reparou na poeira suspensa no ar, iluminada pelo sol? Parecia mágica. Hoje, quando a gente vê isso, pensa que tem que tirar o pó da casa. O mesmo acontece com os relacionamentos: perdemos a capacidade de nos encantar com o trivial. A vida fica chata, chatérrima, vira mesmice e obrigação. o caso é se redescobrir. Nesses dois anos, vocês não mudaram grandes coisas. O que mudou foi o olhar: acostumou a ver as mesmas coisas todos os dias, e logo elas pararam de espantar. Perdeu a graça, apesar de todo o amor. Quer saber? Isso é pura falta de imaginação. Preguiça de se esforçar pelo que já está garantido. Afinal, vocês se amam mesmo, está tudo tão tranqüilo, ficar inventando pra quê? Oras. Porque se não a gente morre aos pouquinhos. Vale pra vida toda: quando os planos, as vontades, as curiosidades e até os problemas acabam, não tem sentido continuar. dá pra fazer as coisas de todo o dia de um jeito diferente. Sair da cama e transar no chuveiro, comer na rua e não na mesa, trocar o caminho que vocês sabem de cor por um onde dá pra se perder, inverter os horários, os programas, o disco. Toda sexta-feira vocês comem pizza? Mude de dia, de restaurante e de prato. Tradição só é bom pra causar nostalgia quando estamos longe dela. Na vida real, é um saco fazer por fazer. As possibilidades estão aí, escancaradas. Não aproveitamos porque o previsível é mais seguro e confortável. Mas mudar transforma nosso olhar sobre o mundo. Ao viver o novo, surpreendemos a nós e ao outro. De cara, já dá assunto pra conversa - e as reações dele podem te mostrar algo que você ainda não sabe. E até quando a mudança não funciona pode ser bom - aquele velho hábito que você estava achando chato vai ganhar uma cara nova. A ciência já provou que a paixão tem data de validade. Biologicamente, aquele frio na barriga esmorece porque é adrenalina, e viver à base dela mataria você do coração. Mas suspeito que a gente seja capaz de se reapaixonar muitas vezes pela mesma pessoa. E, nesses intervalos, cabe a nós mudar o jeito de ver o carrossel. Agora, se ele não aceita novidades, ou se a sua preguiça é maior do que a incomodação com o tédio, repense se esse é mesmo o brinquedo onde você quer ficar. Mas lembre: mudar de idéia é diferente de desistir. A rotina vai estar em qualquer relação estável que você viver. Sabe as pessoas da montanha-russa? Aposto que a maioria está só procurando alguém com quem ir para o carrossel.

Meu namoro é um tédio Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/1660614-meu-namoro-%C3%A9-um-t%C3%A9dio/

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