como é possível resistir à manipulação da mídia



Resumo escrito por:Estesinversos


No âmbito dos Estudos Culturais, tenta-se demonstrar como é possível resistir à manipulação da mídia. Porém, a regra é a já conhecida inabalável maneira com que a tecnologia se infiltra e atrai com seus artifícios subliminares em termos de propaganda ideológica. É por isso que estudar produções cinematográficas, programas de TV e músicas é cada vez mais importante, já que sua carga comunicativa tem estabelecido padrões homogeneizantes de hábitos e costumes. Portanto, a função desempenhada pelas mídias na sempre mutante circunstância contemporânea demanda a utilização de métodos e reflexões analíticas cada vez mais rigorosas.

É nesse dilema e nessa postura crítica que se coloca Douglas Kellner, em A cultura da mídia – estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno (Bauru, SP: EDUSC, 2001. 454 p.), obra na qual disponibiliza um panorama da cultura da mídia, com destaque para seus mecanismos e técnicas manipulativas de impor normas de pensamento, de ser, de sonhar e de se colocar frente a certos comportamentos. É como se a população – ou as massas – fosse um bando de fantoches. Mas é exatamente nesse ponto que o autor enfatiza a existência de grupos inconformados que se opõem a essa manipulação midiática. De fato, esse filósofo americano defende que se faz urgente uma análise minuciosa dos efeitos dos meios de comunicação de massa sobre os indivíduos e a sociedade. Aponta também que a cultura da mídia sobrepujou e substituiu as manifestações de cultura tradicionais, como o livro, por exemplo. Ou seja, as formas sonoras, visuais e imagéticas da cultura midiática passaram a exigir novas maneiras de conhecer e de decodificar. É nesse contexto que salienta a importância da semiótica para uma crítica mais apropriada da mídia.

Constata-se também que a concorrência por segmentos de mercado aquece o meio publicitário, no sentido de aumentar o campo de influência de certas ideias e ideologias e, consequentemente, capital. É nessa perspectiva que se observa, ao longo da história, especialmente no século XX, como os governantes deram valor à comunicação midiática, como Getúlio Vargas, Hitler, Mussolini e vários ditadores em diversas regiões do planeta nos fazem lembrar. Destaca-se também o papel da mídia no que se refere ao campo educacional, pois oferece informações e orientações sobre a realidade social. Essa realidade pode ser contaminada por interesses opostos ao bem social, gerando posturas preconceituosas e reacionárias, além de estímulo a comportamentos criminosos.

Kellner aponta e analisa a influência dos ícones midiáticos na reprodução de posturas culturais. Estuda estrelas da música, como Madonna, filmes, tais como Rambo e Top Gun, e gêneros musicais específicos, como o rap, que é ligado diretamente à etnia negra. É interessante sua visão crítica, por meio da análise de produtos midiáticos, da mediocridade belicista reinante no governo Americano nas décadas de 80 e 90.

Na linha de Walter Benjamim, Kellner aponta que a cultura midiática pode ser, no futuro, um importante elemento de transformação social, em que vozes marginalizadas se façam ouvidas e em que
uma diversas culturas encontrem meios de expressão. E nessa tarefa os estudos culturais têm papel preponderante na possibilidade de intervenção na cultura dominante. Trata-se, portanto, de uma obra essencial no campo dos estudos culturais, pois Douglas Kellner propõe o desafio de se fazer uma leitura política da cultura contemporânea, ao analisar como os produtos culturais midiáticos realizam a transcodificação dos conflitos sociais em seus espetáculos, imagens e narrativas.


A cultura da mídia – estudos culturais Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/social-sciences/communication-media-studies/2002063-cultura-da-m%C3%ADdia-estudos-culturais/

Comentários